Contos e Crônicas – Eletiva 2019

O Curso Contos e Crônicas visa promover rodas de conversas para ler, fruir e interpretar textos produzidos por grandes autores da literatura nacional e mundial.
A proposição de exercícios práticos em sala de aula busca despertar o olhar crítico do aluno, a criatividade e auxiliar na construção técnica do gênero.

Professora Mirian Angela de Oliveira Ventura

Formação em Letras – FFLCH/USP | Jornalismo - UMC | Pós Graduação - Estudo da Linguagem – PUC/SP

 

Presente para a mamãe

Foi-se o tempo em que as mães ficavam satisfeitas com presentes simples, apesar de se alegrarem sempre com qualquer demonstração de carinho vinda dos filhos... Mimos como florezinhas roubadas de um jardim, pequenas borboletas, uma bala, uma cartinha feita escola... Algumas, pelo menos, ficam emocionadas.

Minha mãe nunca foi dada a manifestações de sentimentalismo. Não se comovia com esses gestos inocentes. E se os filhos também ensinam muito aos pais, eu a ensinei a ser mais fofa.

Desde pequenos, eu e meu irmão saímos com o papai para comprar presentes para o dia das mães. Nos últimos anos, minha mãe tem adotado uma técnica diferente, já que ela é difícil de agradar. Então, alguns dias antes da data, ela sai com a gente, entra em lojas e nos dá dicas subliminares sobre o que ela “amaria” ganhar.

Quando chega a data de homenageá-la, entregamos o presente e ela fica super feliz por ter ganhado o que queria e por achar que a sua estratégia funcionou. Mas, na verdade, nós sempre percebemos, pois ela nunca consegue ser discreta.

O divertido é que, apesar de todas as mães terem algumas características em comum, cada uma tem suas peculiaridades e o seu jeitinho especial de ser. A minha é assim: sabe o que quer ganhar e nos ajuda a presenteá-la, de forma que, no fim, fiquemos todos felizes: ela pelos mimos, nós por conseguirmos atender aos seus desejos nada secretos.

MURILO LIMA / GIOVANNA MADRUGA
1° Ano do Ensino Médio

 

Data Muito Especial

O dia das mães é provavelmente uma das datas com maior valor sentimental. Os filhos dão presentes, fazem homenagens e mostram a suas mães o quanto elas são amadas.

Elas, que fazem de tudo pela família, nem sempre recebem o prestígio que deveriam. Geralmente não recebem tantos presentes quanto merecem e não recebem tanto carinho quanto dão, mas isso ocorre porque as crianças e adolescentes por vezes esquecem o valor de ter uma companheira que não pensaria duas vezes em sacrificar seu tempo, dinheiro e recursos para a felicidade dos filhos.

No segundo domingo de maio fazemos o que deveríamos fazer o resto do ano. Por isso, todos os dias deveriam ser dia das mães.

RAFAEL GROKE
3° Ano do Ensino Médio

 

Reflexão de domingo

Conto, crônica, poema, narrativa, palavras colocadas em um pedaço de papel (ou na sua tela). Chame do que quiser. Tudo isso não passa de definições criadas pelo ser humano para diferenciar as possibilidades de se expressar com palavras ou até mesmo somente brincar com elas. Creio que tenha sido assim a criação do tão renomado “dia das mães”, inventado pelo ser humano para homenagear alguém que se faz especial na vida de muitos.

Eu não sei sobre a sua, querido leitor, mas, seguindo a lógica do ser humano de criar feriados e datas comemorativas para tudo, a minha mãe merece não apenas um domingo, mas um ano inteiro. Trezentos e sessenta e cinco (ou seis) dias inteiros. Alguém especial pode ouvir sim as suas palavras de afeto. Geralmente demora-se alguns minutos pra pensar no que dizer, e quase que invariavelmente, acaba-se sempre dizendo ou escrevendo as mesmas coisas... E não é preciso que alguém diga que existe apenas um dia para refletir sobre isso.

Ah, já é comum dizer essas coisas? Então vamos falar sobre o que realmente significa isso tudo. Por que maio e não outubro? Bem, é o mês de Maria, mãe de Jesus.  Esse domingo que é tão domingo como qualquer outro, e a sua mãe que é tão sua como em todos os dias. Três letras com bilhares de significados diferentes, para cada ser que habita ou já habitou a Terra. Mãe. Em qualquer lugar do mundo, é aquela que tomou a decisão (ou teve que enfrentá-la) de direcionar a maior parte de suas escolhas a um único ser. Que opta por cuidar da vida. De outra vida, que é posta à frente de sua própria. É mais do que sangue. Vai além de biologia. Além de um dia. É uma vida inteira, uma eternidade. Uma amiga, uma companheira, uma professora particular da vida, uma proteção, um colo para chorar, um ponto de apoio para quando o mundo parece não estar funcionando direito, um verdadeiro “banho de realidade” de quando estou fora de mim. Alguém que estará comigo para sempre, mesmo não sendo eterna fisicamente, muito mais do que as palavras. E a exatidão a gente deixa para outras coisas, como os feriados inventados pelos seres humanos, nunca para o enorme sentimento que eu carrego pela minha mãe.

LAILA T. A. ZENNI
3° Ano do Ensino Médio

 

Melhor Parte do Dia

Semana do dia das mãe é um convite a revisitar as memórias com nossa progenitora e o exercício me levou de volta à infância...

Era o melhor momento do dia. Eu estava lá, segurando meu ursinho, o cobertor, ansiosa por aquele momento. Só esperava surgir na porta a figura de minha mãe com seus cabelos lisos e curtos. Nossa, como eu adorava! O leitor pode não compreender, mas por favor, leitor, imagine!

Ela surgiu, bela como sempre e com o livro de estórias na mão, qual seria hoje? Não sabia. Sentou-se calmamente à beira da cama, a coberta amassou, ela colocou seus óculos e começou:

- Era uma vez um homem, loiro, calmo e tranquilo. Ele era solitário, vivia sempre assim. Em casa, não gostava do estilo dos pais, apesar de amá-los e, na escola, parecia não se encaixar. Nas festas, ele ia, sim, porém não ficava com nenhuma garota. Não que lhe faltasse de opção, mas nenhuma lhe interessava verdadeiramente. Porém, um dia tudo mudou, ele achou o que não procurava e o que não esperava, achou uma mulher que no começo parecia comum. Tornaram-se grandes amigos, iam juntos para festas, restaurantes, padarias... enfim, todos os lugares. Em um dia desses, no entanto, algo havia mudado, o homem sentiu pela primeira vez ciúmes dela e vice-versa, acharam que foi um mal-entendido e ignoraram. Num outro dia, algo inesperado ocorreu, estavam juntos rindo de alguma piadinha boba quando seus lábios se tocaram. Pareceu algo errado a princípio. Tentaram ignorar e por isso fingiram que não havia acontecido. Só que não tinha como. Passados dois dias, foram falar do ocorrido e adivinhe só? Outro beijo, não um, mas vários. Começou então uma rotina, sempre se beijavam escondidos e ninguém sabia, só eles, não viam mal nisso pois a intenção de ambos nunca foi ou seria sair de mãos dadas na rua. Assumir não podiam, mas viver esse amor, com certeza.

Perguntei para mamãe se esse amor era verdadeiro.

- Ah, era sim, minha filha, era muito difícil para ambo, mas eles lutavam juntos, gostavam um do outro, não com um desejo carnal. Havia carinho. Eles se completavam. E depois disso tudo ocorreu: felicidade, amor, brigas, coisas normais de casal, porém eles continuaram juntos e viveram felizes por um longo período.

Bom leitor, não sei se gostou da história, mas era a minha favorita. Sempre pensei e penso nesse conto, embora não me lembre de tudo, infelizmente. O conto acabava, mamãe fechava o livro, arrumava o lençol, me dava um beijo suave na testa e ia dormir sempre me desejando boa noite. E hoje, em 2019, com 25 anos, posso dizer que sinto falta e ainda penso no que poderia acontecer com o homem e a menina da história, será que conseguiram ficar juntos? Ainda não sei, mas vou descobrir.

GABRIEL BUENO BOCCHI
3º Ano do Ensino Médio

 

Momentos Engraçados

Esses dias eu estava pensando, mãe é um negócio muito contraditório as vezes, porque ao mesmo tempo que é brava, consegue ser engraçada. Mãe tbm é uma figura muito importante e essencial para nós.

Embora haja alguns momentos de estresse, não dá para esquecer que elas não são eternas e lembrar-se disso é essencial para não deixar de valorizar os momentos com ela.

Quando penso em minha mãe, e inevitável não me lembrar das frases repetidas a exaustão.

- Engole esse choro agora! - Muito utilizado quando a gente faz birra, e começa a chorar por alguma coisa e ela fica brava.

- Vou contar até dez! - Característica dos momentos em que nos fazíamos de surdos e ela chamava de novo.

- Toma cuidado! - Repetia sempre que liberava a gente pra brincar com os amigos.

- Mas você não é todo mundo! - Quando você pedia para deixá-lo ir para algum lugar que todo mundo ia, menos você, porque ela não deixa.

Lembro-me de alguns momentos em que achava que minha mãe era vidente. - Leva blusa que vai esfriar. Estava um calor insuportável, mas surpreendentemente, esfriava.

Ou quando nos dirigíamos de algum jeito diferente e ela reagia – Tá achando que está falando com quem?! Eu não sou qualquer uma pra você falar assim não!

E, sim, mãe, você não é qualquer uma! Você é a pessoa mais importante para nós, é você quem cuida e que se importa com nós! Mãe, nós te amamos e nós temos que aprender a te valorizar mais.

BRUNO GOMES
3º Ano do Ensino Médio

 

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